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Alto Mira

O Rio Mira nasce em Santa Clara-a-Nova

O rio Mira nasce na freguesia de Santa Clara-a-Nova, concelho de Almodôvar, na encosta norte da Serra do Caldeirão, cerca de 2 km a norte do Pico do Mú e 12,5 km a sul da aldeia. Foi o que escreveu o pároco Miguel Guerreiro Bogalho em maio de 1758, e é o que confirmam hoje a hidrografia e os limites de freguesia da Direção-Geral do Território. Nenhum texto moderno que tenhamos encontrado diz a freguesia: todos param em "concelho de Almodôvar, Serra do Caldeirão". Esta página junta o documento de 1758, os dados oficiais e o método com que verificámos cada ponto.

Em resumo

  • O Mira tem 130 a 145 km, conforme a fonte, corre de sul para norte (como o Sado) e desagua no Atlântico em Vila Nova de Milfontes.
  • A nascente fica na freguesia de Santa Clara-a-Nova, a 425-470 m de altitude, na encosta norte da Serra do Caldeirão, a cerca de 2 km do Pico do Mú (577 m, já na freguesia de São Barnabé).
  • Em 1758 o pároco escreveu: "Desta e dentro desta freguezia nasce a ribeyra de Odmira; em o sitio do Carvalhete e Saltao". Os dois nomes existem hoje: Carvalhete é um vértice geodésico e um moinho junto ao alto Mira; Saltão é uma localidade do código postal 7700-240.
  • A linha oficial "Rio Mira" da Direção-Geral do Território começa em 37,3889 N, 8,0797 W, dentro dos limites da freguesia na CAOP 2025. O OpenStreetMap põe a cabeceira a 340 m desse ponto.
  • Alto Mira é como chamamos ao troço superior do rio, da nascente até à albufeira de Santa Clara: a freguesia inteira fica nele. A barragem, em Santa Clara-a-Velha (Odemira), guarda a água que nasce aqui e abastece a mina de Neves-Corvo.
  • Vídeo: a resposta do pároco e os mapas de hoje, em menos de dois minutos, logo abaixo.

Ver a história do Mira

O que escreveu o pároco em 1758 e o que dizem os mapas de hoje, em menos de dois minutos

Onde nasce o Rio Mira, em vídeo, com narração em português, no canal de YouTube da aldeia. Tirando a vista aérea da aldeia no início, as imagens são ilustrações geradas por computador: não são fotografias dos lugares nem documentos históricos.

O percurso: de uma Santa Clara à outra

Da nascente ao mar, em cinco paragens

O percurso: de uma Santa Clara à outraOceano AtlânticoSerra do CaldeirãoPico do Mú, 577 mCarvalheteNascente, 425-470 mSanta Clara-a-NovaBarragem de Santa ClaraOdemiraVila Nova de MilfontesMina de Neves-Corvo10 kmN
Esquema do percurso do Mira. As posições dos pontos são reais (coordenadas da Direção-Geral do Território e do OpenStreetMap); o traçado do rio entre eles é simplificado. Não é um mapa rigoroso.
  1. Nascente, Santa Clara-a-Nova

    Encosta norte da Serra do Caldeirão, 425 a 470 m, 2 km a norte do Pico do Mú. Um vale seco a maior parte do ano: "não encontrará água no local a não ser que esteja a chover", avisa a geocache "Nascente do Rio Mira" (2012).

  2. Carvalhete e a aldeia

    O rio desce junto ao vértice geodésico do Carvalhete e ao seu moinho, atravessa a freguesia e passa perto da aldeia, onde recebe a Ribeira de Mora, que vem das Mesas do Castelinho.

  3. Barragem de Santa Clara

    Em Santa Clara-a-Velha, concelho de Odemira: obra concluída em 1968 e inaugurada em 1969, albufeira de 1.986 ha. Daqui parte a água que abastece a mina de Neves-Corvo, de volta ao concelho de Almodôvar.

  4. Odemira

    Onde a "ribeira" passa a chamar-se rio, dizia o pároco, e onde a maré sobe até à herdade da Torrinha.

  5. Vila Nova de Milfontes

    A foz, no Atlântico, 130 a 145 km depois da nascente. O Mira é um dos poucos rios portugueses que corre de sul para norte.

O que escreveu o pároco em 1758

Memória Paroquial de Santa Clara-a-Nova, 5 de maio de 1758

“Desta e dentro desta freguezia nasce a ribeyra de Odmira; em o sitio do Carvalhete e Saltao, cujo nome tem por pasar a villa de Odmira, donde ja tem o nome de rio; mas com o mesmo nome entrando ahi ja a agoa da mare por ella asima athe a erdade da Torrinha sita na freguezia de Sancta Maria da villa de Odmira, e dahi se vai sepultar ao mar a Villa Nova de Mil Fontes, que fica ao poente, em o qual rio se nao admirao propriedades algumas notaveis.”

Miguel Guerreiro Bogalho, pároco, "Sancta Clara sinco de Mayo de 1758". Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Memórias Paroquiais, vol. 11, n.º 333, pp. 2291-2298 (PT/TT/MPRQ/11/333). Transcrição de Lígia Duarte, projeto "Portugal 1758", CIDEHUS, Universidade de Évora.

Depois do terramoto de 1755, a Coroa mandou a todos os párocos do reino um questionário sobre as suas terras. As respostas são as Memórias Paroquiais de 1758, guardadas na Torre do Tombo. A de Santa Clara-a-Nova foi assinada pelo pároco Miguel Guerreiro Bogalho, capelão apresentado pelo Rei e freire professo da Ordem de Santiago, a 5 de maio de 1758.

No capítulo sobre a serra, à pergunta sobre os rios que nela nascem, o pároco responde sem rodeios: a "ribeira de Odemira" nasce dentro da sua freguesia, no sítio do Carvalhete e Saltão, chama-se rio a partir de Odemira, sente a maré até à herdade da Torrinha e morre no mar em Vila Nova de Milfontes. É a mesma geografia que os mapas de hoje desenham, escrita 267 anos antes.

O mesmo documento diz que a freguesia não tinha "antiguidade alguma memorável" (item 22), a 2 km do povoado das Mesas do Castelinho, que só seria reconhecido em 1987. E que a capela da igreja, arruinada pelo terramoto de 1755, continuava por reparar em 1758.

A freguesia em 1758, segundo o pároco

Fogos
230, "separados por diversas herdades"
Pessoas
640 maiores e 200 menores
Povoação
Apenas a "pequena aldeia chamada da Igreja"; nenhum outro lugar
Igreja
Cinco altares: Santa Clara, Santo António, São João Baptista, N. Sra. do Rosário, Santas Almas; duas irmandades
Pároco
Capelão apresentado pelo Rei, freire da Ordem de Santiago, pago em trigo e cevada
Terramoto
Capela da igreja com "alguma ruína" desde 1755, "ainda sem reparo" em 1758
Antiguidades
"Não tem privilégio, nem antiguidade alguma memorável"
Correio
Não tinha; servia-se do de Almodôvar, "na distância de uma légua"

Onde nasce o Mira: quatro fontes espaciais

Dados oficiais e abertos, consultados em outubro de 2026

A pergunta "em que freguesia nasce o rio?" responde-se com dois dados: onde começa a linha do rio e onde passa o limite da freguesia. Usámos a hidrografia e os limites administrativos do Estado, e o OpenStreetMap como contraprova independente.

Hidrografia oficial (DGT/APA), camada "Linhas de água (EPIC)", infogeo.dgterritorio.gov.pt
A linha "Rio Mira" do Estado: 122 segmentos, hierarquia 1. O extremo de montante é o fim solto mais a sul.
Extremo de montante em 37,38890 N, 8,07973 W, a 425 m. Fica na freguesia de Santa Clara-a-Nova; 2,0 km do Pico do Mú; 12,5 km da aldeia.
CAOP 2025 (DGT), limites oficiais de freguesia, camada FreguesiaCAOP2025; a mesma geometria via geoapi.pt
A freguesia de um ponto
Ponto da nascente: freguesia "Santa Clara-a-Nova", código 020213, 10.833 ha; altitude 442 m (geoapi).
CAOP 2022 (DGT), limites anteriores à reposição da freguesia
A freguesia de um ponto, nos limites de 2013-2025
Nascente: "União das freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires". Pico do Mú: "São Barnabé".
OpenStreetMap, via 407393803 "Rio Mira" (838 nós, 26,3 km), geometria completa pela API
A cabeceira = primeiro nó da via, também o mais a sul
37,38691 N, 8,07685 W: a 340 m do extremo oficial, 1,83 km do Pico do Mú, 12,8 km da aldeia.

As distâncias são em linha reta (fórmula de haversine) a partir das coordenadas indicadas. Em redor da cabeceira só existem linhas de água intermitentes sem nome; a linha oficial recebe o nome "Rio Mira" a menos de 1 km da cabeceira e de novo junto à aldeia, onde também nomeia a Ribeira de Mora, que nele desagua.

Carvalhete e Saltão: os nomes do pároco sobrevivem

Dois topónimos de 1758 nos mapas e no código postal de hoje

Carvalhete existe e fica sobre o alto Mira, dentro da freguesia. É um vértice geodésico da Rede Geodésica Nacional (VG-DT73, 3.ª ordem, 508,5 m, em 37,40539 N, 8,11244 W), a 1,45 km do rio e 5,6 km de rio abaixo da cabeceira. Ao lado estão o Moinho do Carvalhete, a 2,4 km de rio da cabeceira, e o Monte Carvalhete, uma casa da estrada CM 1198-2, código postal 7700-240, que os limites oficiais põem em Santa Clara-a-Nova. A lista postal da freguesia traz ainda Carvalhote, Carvalhotinho e Carvalhosa, a uma vogal da grafia do pároco.

Saltão é hoje uma localidade da freguesia: aparece na lista do código postal 7700-240 Santa Clara-a-Nova (a nona de setenta localidades). Não está no OpenStreetMap e não conseguimos localizá-la com precisão; o sítio postal dá apenas o centro da freguesia para todas as localidades.

Ou seja: "em o sitio do Carvalhete e Saltao" é exatamente o que diz o mapa. Carvalhete é o alto com nome ao lado dos primeiros quilómetros do Mira.

O Alto Mira

O vale superior do rio, onde fica a freguesia inteira

Chamamos Alto Mira ao troço superior do rio: da nascente, na Serra do Caldeirão, até à albufeira da Barragem de Santa Clara. Não é um topónimo oficial; é o nome descritivo que este sítio usa para a bacia alta do Mira, do mesmo modo que se diz Alto Alentejo ou Alto Minho. A freguesia de Santa Clara-a-Nova fica inteira dentro dele.

O rio atravessa a freguesia desde 1874, pelo menos nos livros: Pinho Leal escreveu em Portugal Antigo e Moderno que "pelo meio da freguezia passa a ribeira de Mira, e pelo N. a ribeira Mór". A Portaria n.º 640-F3/94, que criou a Zona de Caça Turística de Santa Clara-a-Nova (1.332 ha), publicou no Diário da República um mapa onde se lê "RIO MIRA" a atravessar a zona a sudoeste da aldeia. E a aldeia, diz a ficha de freguesias.pt, está "situada na margem direita de uma ribeira, afluente do Rio Mira".

A paisagem do Alto Mira é a da transição: o montado dos campos de Ourique a norte, a serra de medronheiro e esteva a sul, e no meio um vale que o rio escava de sul para norte. É a mesma serra que o pároco de 1758 descreveu com "trinta e três léguas" de comprimento, "fregidíssima" no inverno e "nimiamente cálida" no verão.

As duas Santa Claras são as duas pontas de um rio

Santa Clara-a-Nova (Almodôvar) e Santa Clara-a-Velha (Odemira)

Toda a gente confunde as duas. Santa Clara-a-Velha, no concelho de Odemira, dá o nome à barragem e à albufeira. Santa Clara-a-Nova, no concelho de Almodôvar, dá ao rio a sua nascente. O Mira liga-as: a água que nasce aqui é a água que a barragem guarda ali.

E volta. A mina de Neves-Corvo, junto a Almodôvar, "recebe a sua água da Barragem de Santa Clara". A água do Alto Mira desce até Santa Clara-a-Velha, é represada e regressa, por conduta, ao concelho onde nasceu, para lavar o cobre e o zinco de que esta terra vive.

Como verificámos

Fontes, dados e o que corrigimos pelo caminho

Esta página nasceu de uma investigação feita em 23 e 24 de outubro de 2026. Cada afirmação foi lida na fonte original ou calculada sobre dados oficiais; nada assenta num resumo de terceiros. Depois de escrita, a primeira versão foi revista fonte a fonte por uma segunda leitura independente, sem acesso às conclusões, e corrigida onde falhava. O registo da revisão está no ficheiro de investigação.

  1. 1. O documento de 1758

    Transcrição do projeto "Portugal 1758" (CIDEHUS, Universidade de Évora), descarregada e comparada linha a linha com a página ao vivo: 58 linhas, zero diferenças. Cota confirmada no registo da Torre do Tombo (PT/TT/MPRQ/11/333), que corrige um "vol. 181" da transcrição para vol. 11.

  2. 2. A linha do rio

    Consulta à camada oficial "Linhas de água (EPIC)" da Direção-Geral do Território (serviço ArcGIS infogeo), filtrada por nome "Rio Mira": 122 segmentos. O extremo de montante é o fim solto mais a sul da linha de hierarquia 1.

  3. 3. A freguesia do ponto

    Ponto-em-polígono sobre os limites oficiais CAOP 2025 e CAOP 2022 (DGT), confirmado por geoapi.pt e pelo polígono da freguesia no OpenStreetMap (relação 6431883). Três vias independentes, o mesmo resultado.

  4. 4. Contraprova aberta

    Geometria completa da via "Rio Mira" do OpenStreetMap (838 nós) pela API; o primeiro nó é também o mais a sul. Distâncias em linha reta por haversine.

  5. 5. Os topónimos

    Carvalhete: vértice da Rede Geodésica Nacional, moinho e casa no OpenStreetMap, com freguesia confirmada nos limites oficiais. Saltão: lista completa das 70 localidades do código postal 7700-240, lida página a página.

  6. 6. As fontes secundárias

    Pinho Leal (1874) lido no OCR do exemplar do Getty Research Institute no Internet Archive; a Portaria de 1994 vista no PDF digitalizado do Diário da República; Wikipédia lida no texto-fonte pela API; Infopédia, freguesias.pt, geocache e plano climático municipal abertos diretamente.

  7. 7. A afirmação negativa

    "Nenhum texto moderno nomeia a freguesia como nascente": testada com pesquisas em várias formulações, no sítio do município e nos artigos da Wikipédia sobre a freguesia e São Barnabé. Todas as menções param no concelho ou na serra. Não verificado: o plano de bacia RH6 da APA e o sítio da Junta, não indexados.

O que a revisão corrigiu

  • A data assinada é "Sancta Clara sinco de Mayo de 1758", não "Sancta Clara a Nova, 5 de Mayo de 1758" como a primeira versão escrevia.
  • Uma citação sobre o clima da serra tinha uma palavra a mais; foi reposta letra a letra: "nimiamente [sic] calida".
  • A distância da aldeia à nascente era "cerca de 12,3 km"; recalculada: 12,8 km até ao nó do OpenStreetMap, 12,5 km até ao extremo da linha oficial.

O que não sabemos

  • Qual das várias linhas de água intermitentes é "a" nascente é uma escolha dos cartógrafos. A linha oficial e o OpenStreetMap concordam a 340 m; a geocache aponta para o mesmo sítio, a 470 m.
  • A altitude varia com a fonte: 470 m na maioria dos textos, 442 m no nó do OpenStreetMap, 425 m no extremo da linha oficial. O comprimento também: 130 km (Wikipédia em português), 145 km (Wikipédia em inglês, Infopédia, geocache).
  • Saltão está confirmado como localidade mas não localizado no mapa.
  • Em 1758 "freguesia" era a paróquia eclesiástica; os seus limites de então não estão documentados. "Nasce na freguesia" é uma afirmação sobre os limites administrativos de hoje.
  • O Pico do Mú fica em São Barnabé. Dizer que o Mira "nasce no Pico do Mú" é aproximado: a linha com nome começa 2 km a norte, já do outro lado do limite.

Ficha do rio Mira

Nascente
Freguesia de Santa Clara-a-Nova, concelho de Almodôvar, distrito de Beja; encosta norte da Serra do Caldeirão
Coordenadas
37,3889 N, 8,0797 W (extremo da linha oficial); 37,3869 N, 8,0769 W (OpenStreetMap)
Altitude da nascente
425 a 470 m, conforme a fonte
Distâncias
2 km a norte do Pico do Mú (577 m); 12,5 km a sul da aldeia de Santa Clara-a-Nova
Comprimento
130 a 145 km, conforme a fonte
Sentido
Sul para norte, um dos poucos em Portugal (como o Sado)
Bacia
Cerca de 1.540 a 1.800 km², conforme a fonte
Barragem
Santa Clara, em Santa Clara-a-Velha (Odemira): concluída em 1968, inaugurada em 1969, albufeira de 1.986 ha
Foz
Oceano Atlântico, em Vila Nova de Milfontes (Odemira)
Primeira menção à nascente na freguesia
Memória Paroquial, 5 de maio de 1758, pároco Miguel Guerreiro Bogalho
Vídeo
O Rio Mira Nasce em Santa Clara-a-Nova: Escrito em 1758, 1 min 39 s, narração em português, canal de YouTube da aldeia @santa-clara-a-nova (outubro de 2026)

Perguntas frequentes

Onde nasce o rio Mira?

Na freguesia de Santa Clara-a-Nova, concelho de Almodôvar, distrito de Beja, na encosta norte da Serra do Caldeirão, cerca de 2 km a norte do Pico do Mú, entre 425 e 470 m de altitude. A linha oficial "Rio Mira" da Direção-Geral do Território começa em 37,3889 N, 8,0797 W, dentro dos limites da freguesia.

Em que freguesia nasce o rio Mira?

Em Santa Clara-a-Nova. Os textos publicados dizem apenas "concelho de Almodôvar" ou "Serra do Caldeirão", mas os limites oficiais de freguesia (CAOP 2025) põem o extremo de montante do rio dentro de Santa Clara-a-Nova, e o pároco já o tinha escrito em 1758.

O que é o Alto Mira?

É o troço superior do rio Mira, da nascente na Serra do Caldeirão até à albufeira da Barragem de Santa Clara. Não é um topónimo oficial: é o nome descritivo que este sítio usa para a bacia alta do Mira. A freguesia de Santa Clara-a-Nova fica inteira dentro dele, e o rio atravessa-a pelo meio.

Qual é o comprimento do rio Mira?

Entre 130 e 145 km, conforme a fonte: a Wikipédia em português diz 130 km; a Wikipédia em inglês, a Infopédia e a geocache da nascente dizem 145 km. Corre de sul para norte e desagua no Atlântico em Vila Nova de Milfontes.

O que diz o documento de 1758?

"Desta e dentro desta freguezia nasce a ribeyra de Odmira; em o sitio do Carvalhete e Saltao". É a Memória Paroquial de Santa Clara-a-Nova, assinada pelo pároco Miguel Guerreiro Bogalho a 5 de maio de 1758, guardada na Torre do Tombo (vol. 11, n.º 333) e transcrita pelo CIDEHUS da Universidade de Évora. O vídeo nesta página conta essa resposta em menos de dois minutos.

Qual é a ligação entre Santa Clara-a-Nova e Santa Clara-a-Velha?

O rio Mira. Nasce em Santa Clara-a-Nova (Almodôvar) e é represado em Santa Clara-a-Velha (Odemira), na Barragem de Santa Clara. São duas povoações diferentes, nos dois extremos do alto Mira, e a água guardada na barragem abastece a mina de Neves-Corvo, de volta ao concelho de Almodôvar.

Pode visitar-se a nascente do rio Mira?

O lugar fica a cerca de 12,5 km a sul da aldeia, por caminhos de terra na serra, e não tem percurso sinalizado. Existe desde 2012 uma geocache, "Nascente do Rio Mira", que leva até lá; o próprio texto da geocache avisa que o vale só tem água quando chove. O Moinho da Boavista, na freguesia, é o miradouro mais fácil sobre a serra onde o rio nasce.

Porque é que ninguém diz que o Mira nasce em Santa Clara-a-Nova?

Porque as descrições publicadas param no concelho ou na serra. O pároco disse-o em 1758, Pinho Leal escreveu em 1874 que o rio passa "pelo meio da freguezia", e os dados oficiais confirmam-no. Não encontrámos nenhum texto moderno que o diga, e por isso o verificámos nós, fonte a fonte.

Continuar a explorar

Fontes

Todas as fontes foram abertas em outubro de 2026. As citações são textuais; as coordenadas e distâncias foram calculadas por nós a partir dos dados indicados.

  1. Memória Paroquial de Santa Clara-a-Nova, 1758. Transcrição: projeto "Portugal 1758", CIDEHUS, Universidade de Évora (Lígia Duarte). Ligação http, sem certificado
  2. Original: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, "Clara Nova (Santa), Almodôvar", PT/TT/MPRQ/11/333, Memórias Paroquiais vol. 11, n.º 333, pp. 2291-2298
  3. Direção-Geral do Território, serviços ArcGIS infogeo: hidrografia "Linhas de água (EPIC)" (DGT/APA), CAOP 2025 (FreguesiaCAOP2025) e CAOP 2022
  4. geoapi.pt, freguesia e altitude de um ponto (CAOP)
  5. OpenStreetMap, via 407393803 "Rio Mira"; nó 5574259158 (vértice geodésico Carvalhete, Rede Geodésica Nacional); nó 6873865739 (Moinho do Carvalhete)
  6. Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, vol. 2, Lisboa, Mattos Moreira, 1874, "Clara Nova (Santa)" (exemplar do Getty Research Institute, Internet Archive)
  7. Portaria n.º 640-F3/94, de 15 de julho, Diário da República I Série-B n.º 162 (Zona de Caça Turística de Santa Clara-a-Nova), com mapa
  8. freguesias.pt, ficha de Santa Clara-a-Nova (cod. 020204)
  9. CTT / codigo-postal.pt, localidades do código postal 7700-240 Santa Clara-a-Nova
  10. Wikipédia: Rio Mira; Barragem de Santa Clara; Mina de Neves-Corvo; Serra do Caldeirão; Almodôvar
  11. Município de Almodôvar, Plano Municipal de Ação Climática, p. 33
  12. Geocache GC3MJ1J "Nascente do Rio Mira", conta "Almodôvar", 30 de maio de 2012
  13. SIPA, Povoado das Mesas do Castelinho, id 964. Ligação http, sem certificado
  14. Ficheiro de investigação (versão 2, 24 de outubro de 2026), com a transcrição integral da Memória Paroquial e o registo da revisão. Disponível a pedido: [email protected]