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Registo de evidência

Como sabemos o que mostramos

Registo de evidência do Povoado das Mesas do Castelinho

Uma reconstrução virtual mostra sempre mais do que uma escavação encontrou. Esta página é o contrário disso: a lista do que está documentado, do que foi inferido, do que hoje está no terreno reconstruído por mãos modernas, e do que continua por saber. Cada elemento traz as suas fontes, com páginas, e o raciocínio que o sustenta, para que qualquer pessoa que conheça o sítio o possa contestar por escrito.

De onde vem isto, e de onde não vem

Uma leitura da investigação publicada, feita de fora da equipa

As Mesas do Castelinho foram escavadas pela UNIARQ, Universidade de Lisboa, entre 1988 e 2018, sob a direção de Carlos Fabião e Amílcar Guerra, com Susana Estrela como co-coordenadora desde 2006. Tudo o que esta página afirma vem da investigação que essa equipa publicou, e do registo estatal de trabalhos arqueológicos, que é público.

Esta página é feita a partir do trabalho deles, não com eles. A equipa de escavação não reviu este registo, não o aprovou e não é responsável por nenhuma leitura aqui apresentada. Onde houver erro, o erro é nosso. O crédito da investigação é inteiramente seu.

Nada aqui vem dos 34 relatórios de escavação depositados no Portal do Arqueólogo, que estão sujeitos a condições de acesso e não foram consultados. O que é citado como registo são as fichas públicas de trabalhos arqueológicos do Endovélico, um documento diferente.

O sítio, na formulação mais defensável

Onde as fontes divergem, esta é a versão que as concilia

Os números e as datas abaixo não são os que circulam com mais frequência. São os que resultam de pôr todas as versões publicadas lado a lado e escolher a formulação que nenhuma delas contradiz. Onde a equipa se moveu ao longo do tempo, o intervalo fica no texto em vez de desaparecer.

FundaçãoFinais do século V a inícios do século IV a.C. Fundação ex novo, em local não ocupado antes. Datada por taças Cástulo áticas e ânforas gaditanas; sem radiocarbono.
ÁreaTrês hectares e meio a quatro. Duas plataformas: A, superior e sensivelmente circular; B, inferior, trapezoidal e maior.
MuralhaO povoado começa sem muralha, ganha uma nas primeiras décadas e já a tinha perdido antes da malha viária romana. Sem qualquer horizonte de destruição.
Idade do Ferro, continuaçãoOcupação sem interrupção entre a segunda metade do século IV e finais do século III a.C., nas duas plataformas. No século II a.C. o povoado contrai-se para a plataforma B e a plataforma superior sai de uso, antes de Roma.
Plano romano republicanoTrês ruas norte-sul e quarteirões, entre os finais do século II e o primeiro quartel do século I a.C.
Época imperialEm época augustana as ruas são obstruídas e as casas grandes subdivididas em pequenos compartimentos. Na plataforma superior o percurso de visita do Município situa uma zona residencial romana do século I a.C., que reaproveitou construções da Idade do Ferro e foi abandonada a meio desse século; daí em diante a plataforma superior aparentemente já não está em uso.
AbandonoInícios do século II d.C. Gradual e progressivo, não súbito.
HiatoDo início do século II ao século IX d.C. Um único fragmento de sigillata focense tardia, do terceiro quartel do século V d.C.
Ocupação islâmicaSéculos IX a XI. Castelo com um povoado associado na plataforma inferior. Formas emirais e califais presentes, almóadas ausentes.
EscavaçãoEntre 1988 e 2018, oito sectores (A1 a A4, B1 a B4). Prospeção com georradar em junho de 2022 e uma campanha listada nesse verão, sob o nome PROMECA. Nada disso consta do registo estatal.
ClassificaçãoImóvel de Interesse Público, Decreto n.º 29/90, de 17 de julho de 1990, Anexo II. Sem ZEP e sem zona non aedificandi.

Uma palavra que os escavadores recusam: cidade. "A inexistência de indícios de uma arquitectura pública impede-nos de considerar este aglomerado como uma cidade" (Guerra e Fabião, 2010, p. 475). O plano ortogonal existiu; a cidade não.

A chave, explicada

Dois eixos independentes, e a razão de serem dois

O erro mais comum neste tipo de trabalho é juntar num único número duas coisas diferentes: quão bem documentado está um elemento, e o que dele existe hoje no terreno. São perguntas distintas e ambas têm de ser respondidas. Um muro pode estar seguramente reconstituído e ser, ao mesmo tempo, obra moderna.

Certeza: quão bem evidenciado está

Quatro bandas. Uma E4 honesta cumpre a norma; uma E2 desonesta não. Nenhuma banda é melhor do que outra, só mais ou menos apoiada.

E1

Atestado

Está diretamente documentado neste sítio, por uma fonte que descreve ou representa esta mesma estrutura ou objeto. A fonte tem de trazer página ou figura, e não pode ser uma fonte por confirmar.

A estela com Escrita do Sudoeste: 112 × 51 × 9 cm, 82 signos, 80 de valor fonético identificável, 21 distintos, publicados por Guerra em 2009 com as medidas e a contagem.

E2

Inferido no sítio

Não se conservou aqui, mas extrapola-se com segurança a partir de outro ponto do mesmo sítio. Exige a fonte do elemento análogo e o raciocínio escrito.

A secção da muralha da plataforma inferior: a sequência estratigráfica (casas, enchimento, face externa) é inequívoca na ordem, mas não na cronologia, pelo que a estrutura é modelada e a data fica em aberto.

E3

Inferido por paralelo

Vem de sítios comparáveis ou da prática geral da época, não deste sítio. A fonte tem de nomear o paralelo e o raciocínio tem de dizer porque se aplica aqui.

Densidade e porte da vegetação junto ao povoado: as espécies estão atestadas pelo carvão e pelas sementes, o aspeto concreto de cada mancha não está.

E4

Conjetura

Não tem base evidencial direta; está presente porque alguma coisa tem de ser mostrada. O raciocínio tem de dizer isso por palavras claras e dizer o que a substituiria.

As coberturas das casas republicanas. Não sobrevive um único telhado no sítio, e as casas de dois pisos com escada exterior de pedra não têm antecedente direto conhecido de onde copiar um.

Estado físico: o que existe hoje

Quatro estados que o visitante encontra no terreno. É a obrigação de divulgação mais frequentemente incumprida, porque alvenaria reposta fotografa-se exatamente como alvenaria antiga.

Conservado no lugar

Ficou onde a escavação o encontrou, sem ser levantado nem reposto. É o estado que dá ao visitante contacto direto com a construção antiga.

Não temos ainda um exemplo seguro para dar, e vale mais dizê-lo. A história de conservação do sítio é longa: redes de ráfia em 1989 e 1992, valas de drenagem em 1992, pisos refeitos com cal hidráulica e geotêxtil sobre o grande corte em 1994, tubagens de drenagem em cimento em 1997, e trabalhos de consolidação executados por pedreiros locais, que ainda dominam a técnica da pedra seca. Muito do que hoje está de pé foi tratado, e este registo ainda não consegue dizer, elemento a elemento, o que ficou intacto. É esse o trabalho que o registo completo tem de fazer.

Reposto na posição original

Material antigo devolvido ao sítio onde estava, por mãos modernas. A pedra é a mesma; a colocação é nossa.

As linhas fortificadas do Sector B2, no talude ocidental da plataforma inferior: o registo da campanha de 2017 refere o "reposicionamento das suas linhas fortificadas".

Refeito sobre o original

Parcial ou totalmente reconstruído sobre os restos antigos, incluindo consolidações e pisos repostos. O que se vê tem duas idades ao mesmo tempo.

Os pisos refeitos com cal hidráulica em 1994, uma das intervenções de conservação que o registo estatal documenta ao longo dos anos 1990.

Não preservado ou ausente

Nunca se conservou, nunca foi escavado, ou foi retirado para museu. É o estado da maior parte do que uma reconstrução virtual mostra.

A estela, hoje no Museu da Escrita do Sudoeste, em Almodôvar; e todas as coberturas, que não existem em lado nenhum do sítio.

O vocabulário completo do registo tem mais dois valores, ambos reais aqui: REENTERRADO, para o que foi escavado e deliberadamente coberto de novo: o grande corte de 1986 foi limpo e desenhado em 1987 e depois protegido com geotêxtil; e DESTRUIDO, para o que existiu e foi destruído, que neste sítio não é uma nota de rodapé.

Porque são dois eixos: o caso da muralha do Sector B2

Seguramente modelada, e reposta em 2017

A muralha da plataforma inferior é uma linha dupla: a parede exterior das casas encostadas à fortificação serve de face interna, uma face externa regular de xisto corre paralela, e o espaço entre as duas é cheio de pedra lançada sem aparelho. Estrela mede-lhe "mais de 3 metros de espessura", contra 1 a 2,5 m na plataforma superior, e as duas plataformas não foram construídas com a mesma secção, e não podem ser modeladas como se fossem.

Do lado da certeza, portanto, a estrutura está bem evidenciada: E2. A sequência é inequívoca, o que não está resolvido é a cronologia; ver a secção seguinte.

Do lado do estado físico, o que o visitante vê hoje no talude ocidental foi reposto por mãos modernas: o registo da campanha de 2017 refere o "reposicionamento das suas linhas fortificadas situadas no Sector B2". A pedra é antiga, a arrumação é de 2017. ANASTILOSE.

As duas afirmações são verdadeiras ao mesmo tempo e nenhuma substitui a outra. Se houvesse um só número, uma delas desaparecia, e seria sempre a segunda, porque é a que incomoda.

O que está em disputa

Mostrado como disputa, não resolvido em silêncio

Onde leituras diferentes têm validade científica equivalente, a norma obriga a apresentar ambas em vez de escolher a que fica melhor no ecrã. Onde uma leitura está melhor apoiada, essa é assumida como hipótese principal e a outra fica registada como posição minoritária, com o nome de quem a defende. As duas situações aparecem abaixo, e são diferentes.

A muralha existia desde o início?

Duas leituras de validade equivalente

O povoado nasceu amuralhado, ou passou um primeiro tempo sem muralha? A resposta muda o que uma reconstrução do momento fundacional pode mostrar.

A

A muralha é da própria fase fundacional, logo a seguir às primeiras casas

Na plataforma superior houve "um momento prévio à construção da fortificação", com cabanas de postes, lareiras de argila avermelhada e vasos de armazenamento. A muralha ergue-se dentro da mesma fase fundacional, entre os finais do século V e a primeira metade do século IV a.C.: "É um facto que a sua construção se verifica, essencialmente, na sua fase fundacional mais antiga". Na plataforma inferior, as casas primeiro, a muralha logo depois.

Estrela 2010, pp. 7, 10-11, 94

B

Um primeiro momento de "povoado cego", sem muralha, e só depois a fortificação

Nesta leitura o povoado começou por ser apenas um "povoado cego", em que a defesa é a parede cega contínua das traseiras das casas construídas umas contra as outras, o que não é uma muralha. A fortificação corresponderia a "uma segunda fase em que se reforçaram as características defensivas do conjunto". O registo da campanha de 2002 diz-lhe simplesmente que na primeira fase a muralha não existia.

Guerra e Fabião 2010, pp. 471-472; registo da campanha de 2002

Validade equivalente. Ambas são apresentáveis; nenhuma é apresentada como a resposta. Esta é a razão pela qual o elemento correspondente do registo carrega variantes e fica, ele próprio, no máximo em E2.

De um ponto de vista estratigráfico, não foi possível determinar se a muralha assim composta foi, de facto, erguida logo na fase inicial da ocupação ou se correspondeu a um momento posterior.

Guerra e Fabião, 2010, pp. 471-472

Todas as leituras concordam na sequência: sem muralha, com muralha, sem muralha outra vez, e em nenhum momento um horizonte de destruição: "sem quebras nem níveis de destruição". Concordam também no que a muralha era: não uma linha defensiva, mas "uma marca na paisagem, um ponto de referência, mais do que um local que se queria inexpugnável". Fabião chegou a escrever da muralha de A1-A2 que era tão fina que é "quase difícil chamar-lhe 'muralha'". O que continua por decidir é quanto durou o momento sem muralha, e se conta como fase própria.

A cabeça de terracota: brinquedo ou objeto de culto?

Duas leituras de validade desigual

Uma pequena cabeça humana de terracota, encontrada em 1995 no Sector A1, em posição secundária no derrube e enchimento do Ambiente XIII, portanto da segunda metade do século IV a inícios do século III a.C. O que representa?

A

Um brinquedo ou objeto decorativo (hipótese principal)

Traços realistas, possivelmente uma criança. A única arqueóloga a publicar sobre a peça escreve: "um brinquedo, ou mesmo um objecto decorativo. Não nos parece que a figura em questão seja a representação de uma qualquer divindade nem mesmo um ex-voto". A equipa trata-a por "Batata".

Estrela 2010, pp. 78-79

B

Uma "síntese cultural" mediterrânica e céltica (posição minoritária)

Cabeça calva e rosto escanhoado à maneira mediterrânica, olhos redondos e frontais e nariz quase inexistente "em conformidade com as iconografias de matriz céltica". Esta leitura aparece nos materiais do município e numa peça de imprensa que a atribui a arqueólogos não nomeados e não citados.

Materiais do município; peça de imprensa com data de 2021, sem autoria arqueológica identificada

Validade desigual, e é por isso que aqui se endossa uma hipótese principal. A leitura A é a publicada; a leitura B não tem apoio em publicação arqueológica. Regista-se, com a sua origem, mas não em pé de igualdade.

um brinquedo, ou mesmo um objecto decorativo. Não nos parece que a figura em questão seja a representação de uma qualquer divindade nem mesmo um ex-voto

Estrela, 2010, pp. 78-79

As duas leituras concordam no achado: 1995, Sector A1, posição secundária, contexto da Idade do Ferro. Divergem sobre onde a peça está exposta: a publicação arqueológica coloca-a no museu de Santa Clara-a-Nova, a peça de imprensa no MESA, em Almodôvar.

A data de fundação: um intervalo, não um desacordo

A mesma equipa escreve as duas pontas

Finais do século V a.C. ou primeira metade do século IV a.C.? Esta não é uma disputa entre escolas: é a mesma equipa a formular com precisões diferentes ao longo de vinte anos.

A

Finais do século V a.C.

"nos finais do século V a.C." no artigo de Mérida; "Uma fundação ex novo em finais do séc. V a.C." na tese de 2010; "finais do século V – inícios do século IV a.C." em 2019. O registo de 2001 chega a dizer segunda metade do século V. A datação assenta em taças Cástulo áticas e ânforas gaditanas.

Guerra e Fabião 2010, p. 459 e p. 477; Estrela 2010, p. 96; Estrela 2019, p. 228

B

Primeira metade do século IV a.C.

"Fundado na 1.ª metade do século IV a.C.", num artigo de 2023 co-assinado por Fabião, Guerra e Estrela. É também a data que o município publica nos seus materiais.

Tereso e outros 2023, p. 240

Não é um desacordo científico: é imprecisão real, e a única forma honesta de a transmitir é carregar o intervalo. Escrever apenas uma das pontas é escolher por eles.

finais do século V / inícios do IV a.C.

Guerra e Fabião, 2010, p. 477

Todas as versões concordam em duas coisas: a fundação é ex novo, "fundação de raiz em local que não era previamente ocupado", e não existe datação por radiocarbono para este momento. Toda a cronologia fundacional assenta em cerâmica importada.

Correções ao registo público

Erros que circulam, e o que está publicado no lugar deles

Nada disto é culpa de ninguém. São erros de cópia que se instalaram em fontes respeitáveis e se propagam porque a versão errada é mais fácil de repetir do que a certa. Várias destas afirmações estiveram nas outras páginas deste mesmo sítio até esta página ser escrita, e foram corrigidas ao mesmo tempo. Registá-las é o serviço que esta página presta; apontar dedos não seria serviço nenhum.

O que circula: Que a estela das Mesas do Castelinho foi publicada num artigo de 2010 na Revista Portuguesa de Arqueologia.

A posição correta: Esse artigo não existe. A publicação de referência é Guerra 2009, "Novidades no âmbito da epigrafia pré-romana do Sudoeste hispânico", Palaeohispanica 9, pp. 323-338, de acesso aberto.

Verificado lendo o índice completo dos dois volumes candidatos da revista, e confirmado por dezasseis artigos publicados entre 2009 e 2025: todos os que citam a publicação da estela citam Guerra 2009. Existem três itens reais de 2010 que um compilador poderia ter misturado, um deles sobre ânforas, na revista certa.

O que circula: Que o sítio tem ocupação do Calcolítico e da Idade do Bronze Final. Consta da cronologia registada do imóvel e é afirmado na descrição oficial.

A posição correta: Apenas achados de superfície dispersos. Nunca foi encontrado um estrato ou uma estrutura desses períodos. Os escavadores descrevem uma "fundação de raiz em local que não era previamente ocupado".

O erro tem origem identificada numa referência de 1975 que "a investigação posterior não confirmou", e tem também um ponto de entrada no registo do Estado: uma visita de relocalização de 1999, que escreveu "As fases mais remotas de ocupação podem remontar ao Calcolítico e Idade do Bronze final". Era uma visita ao terreno, não um resultado de escavação, e chegou dois anos depois de a ficha de 1997 já ter classificado esse material como "descontextualizado".

O que circula: Que José Leite de Vasconcelos visitou e documentou o sítio em 1897.

A posição correta: Nunca lá esteve. Publicou uma referência de passagem, obtida indiretamente. A menção de 1897 não corresponde a uma visita.

Afirmado três vezes pelos próprios escavadores: nos artigos de 2008 e de 2010, e na tese de 2010, que escreve que Vasconcelos "toma conhecimento indirecto do sítio, sem o ter visitado". A descrição do arquivo do projeto, em 2023, confirma-o a partir da fonte original.

O que circula: Que a estela foi encontrada em 2008, sem mais. Quase todos os relatos populares param aqui, e alguns acrescentam uma data de dia que nenhuma publicação dá.

A posição correta: O bloco foi avistado "no final da campanha de 2007", na Rua 1 do Sector B-3, no contexto da UE 726, e só foi levantado em setembro de 2008. Estava reutilizado, com a face gravada voltada para baixo, num aterro que preparava o piso de circulação da rua, "num aterro romano republicano, preparativo de um piso de circulação desta via", e não no lajeado. É cerca de três séculos mais antigo do que a superfície em que assentava. O seu local original é desconhecido e os escavadores consideraram-na de pouco valor para datar o povoado.

A publicação de referência dá o achado, o contexto e as medidas (112 × 51 × 9 cm, 82 signos, 80 de valor fonético identificável, 21 distintos), mas nunca escreve "voltada para baixo" nem data a unidade estratigráfica. Esse detalhe, e a data do pavimento, vêm das sínteses de 2008 e 2010, não da publicação epigráfica. Convém saber ainda que o registo estatal nunca menciona a estela: nenhuma das fichas de 2007 ou 2008 contém a palavra. Num levantamento de 28 estelas de contexto escavado, esta é a única alguma vez encontrada "reutilizada en rellenos viarios".

Também em circulação

Circula: "86 signos" na estela.

Publicado: 82 signos, 80 de valor fonético identificável, 21 distintos.

Guerra 2009, p. 328. O número 86 aparece na imprensa e não tem apoio na literatura.

Circula: Que a destruição do sítio foi um episódio: a máquina de finais de 1986.

Publicado: Foram três. O aplanamento da plataforma superior pelo proprietário em finais dos anos 1950, os movimentos de terras para a plantação do olival nos anos 1960, e a máquina de finais de 1986.

O primeiro está confirmado como resultado de escavação no registo da campanha de 1991; o segundo está publicado, "um olival de plantação relativamente recente (anos 60 do século XX)", e não consta de nenhuma ficha do registo. O olival, que ainda lá está, é ele próprio um episódio de destruição. A busca de tesouros no sítio é anterior a 1986, com um "longo historial" registado desde 1960.

Circula: Um "pacto de convivência" entre romanos e residentes, apresentado como facto documentado.

Publicado: É uma inferência a partir da ausência de violência, e os escavadores dizem-no na primeira pessoa: "somos levados a concluir que este desmantelamento do sistema defensivo se processou de uma forma pactuada". O desmantelamento e a nova malha de ruas seriam "duas acções de um mesmo programa".

Guerra e Fabião 2010, p. 472. Atribua-se; não se transforme num acontecimento datado.

Circula: Que a escavação está "em curso", ou em alternativa que "terminou em 2018", ditas assim, sem mais.

Publicado: A escavação terminou com o Sector A4 em setembro de 2018. Em junho de 2022 houve prospeção não invasiva com georradar, e o verão de 2022 traz uma campanha listada sob o nome PROMECA. Nada disso entrou no registo estatal, e ninguém publicou um encerramento do projeto.

O registo de 2018 diz que "A escavação do Sector A4 ... foi terminada"; um artigo de 2023 co-assinado pelos três diretores escreve, no passado, "Entre 1988 e 2018 foi campo de um projeto arqueológico"; o boletim da própria UNIARQ documenta o georradar e a campanha de 2022. Só os diretores podem fechar esta questão.

Circula: Que o povoado foi abandonado porque a estrada romana o deixou de fora, dito como facto.

Publicado: É a interpretação dos escavadores, construída a partir dos itinerários, e é cumulativa: a criação da Lusitânia sob Augusto, Pax Iulia como sede legal a 70 km, a atração das minas augustanas, uma rede viária que contornou a passagem do Caldeirão, e sobretudo a escolha de Arandis, provavelmente Garvão, como sede da civitas.

Guerra e Fabião 2010, pp. 479-487. Não está documentada de forma independente. Atribua-se sempre.

O que não sabemos

Lacunas declaradas, e o que fecharia cada uma

Uma lacuna é um resultado, não uma falha. Esta secção existe para que ninguém tenha de descobrir sozinho onde a informação acaba, e para que quem tiver a peça que falta saiba exatamente onde ela encaixa.

As entradas do povoado nunca foram identificadas

Seis séculos de ocupação, um perímetro fortificado, e nenhuma porta localizada. O próprio percurso de visita o diz ao visitante: "Não sendo ainda conhecidas as entradas deste povoado fortificado". Numa reconstrução isto é decisivo: não há como mostrar honestamente por onde se entrava.

Escavação nos taludes, ou o georradar de 2022, cujos resultados não estão publicados.

A necrópole nunca foi encontrada

Seiscentos anos de ocupação e nenhum cemitério localizado. Estrela escreve, condicionalmente: "Se algum dia houver a oportunidade de identificar e estudar as diferentes necrópoles de Mesas do Castelinho". O plural é dela.

Prospeção na envolvente. A ausência é, ela própria, informativa e fica registada como tal.

Os sectores A4 e B4 estão praticamente por publicar

B4 foi aberto em 2013, A4 entre 2014 e 2018, cinco anos de escavação, "no lado oriental da plataforma superior, a Sudeste do Sector A1 e a Norte da mina de água", com pelo menos onze compartimentos em 2016. Estes sectores estão essencialmente ausentes da publicação acessível; as fichas do registo estatal são a única fonte. Não serão modelados a partir dos sectores vizinhos.

Publicação pela equipa, ou o acesso aos relatórios de escavação depositados.

Não se sabe se o minério era fundido no sítio

A metalurgia está atestada e é doméstica: uma plataforma coberta de escória, um forno com buracos de poste, uma forja republicana, tudo distribuído pelos quarteirões residenciais e não segregado: "não ultrapassa o nível familiar, doméstico". Mas os escavadores registam escória de aspeto mais denso que sugere redução primária de minério, e pedem mais estudo. A questão está em aberto por decisão deles.

Análise arqueometalúrgica do material já recolhido.

Não sobrevive uma única cobertura

Nenhum telhado se conservou em ponto algum do sítio. As casas grandes tinham um segundo piso alcançado por escada exterior de pedra, um arranjo que os escavadores consideram peculiar e sem antecedente direto conhecido nem no mundo indígena local nem na arquitetura romana, pelo que não há de onde emprestar uma cobertura. Tudo o que uma reconstrução puser por cima destas paredes é conjetura declarada.

Telha, impressões de barro ou camadas de derrube num sector por escavar; ou as fichas de contexto por ler.

O arquivo do projeto está catalogado e não está publicado

Cinquenta e quatro caixas na UNIARQ, com desenhos, diapositivos, fotografias, provas de contacto e relatórios, descritas em 2023. Cerca de 360 registos ao nível do item estão carregados no sistema de arquivos da Universidade de Lisboa, organizados por sector, todos a mostrar "Informação não disponível". As fotografias e diapositivos do sítio estão a degradar-se. Existe ainda um processo público de contratos e relatórios científicos anuais do projeto, por tratar.

A publicação das descrições, ou consulta presencial mediante pedido.

Não há imagens do sítio antes da destruição

As fotografias dos anos 1950 são as únicas imagens anteriores às destruições e o seu paradeiro é desconhecido. A reportagem televisiva de 1986 não está no índice público do arquivo da RTP, procurada com o motor do próprio arquivo em 25 termos. O único registo televisivo localizado do sítio é um programa de 1999.

Pedido escrito ao arquivo por data e assunto; espólios fotográficos regionais.

Não se sabe com rigor quanto do sítio está escavado

O número que toda a gente repete, cerca de 10%, vem de uma citação de Carlos Fabião numa peça de imprensa que se lê como texto anterior redatado, pelo que não é datável. É plausível e é do próprio diretor; não é uma medição publicada.

Uma pergunta direta aos diretores, ou um valor publicado numa síntese.

Registo de elementos

Sete registos construídos à mão, no formato que o registo completo terá

Cada elemento traz identificador, sector, fase, tipo, estado físico, banda de certeza, fontes com páginas e, o campo mais importante, a paradata: o raciocínio interpretativo, o que foi rejeitado e o que mudaria a leitura. Os sete abaixo foram escolhidos para cobrir os casos difíceis: variantes de validade equivalente, variantes de validade desigual, uma conjetura honesta, uma anastilose que tem de ser declarada, uma ausência que é ela própria informação, e a paisagem.

Os campos correspondem um a um ao esquema do registo. Quando o diretório registo/ existir, o ficheiro registo.json gerado a partir dos YAML substitui esta lista sem alterar a página. Os identificadores e as âncoras são estáveis: cada elemento é endereçável pelo seu id.

E2: Inferido no sítioReposto na posição originalVariantes

Muralha da plataforma inferior, linha dupla com enchimento

MC-B2-FERRO3-004

Sector
B2
Fase
Idade do Ferro, fundação (finais do séc. V à 1.ª metade do séc. IV a.C.)
Tipo
Muralha
Locus
Talude ocidental
Dimensões
Espessura superior a 3 m, contando o enchimento entre as duas linhas (Estrela 2010, pp. 11-12)

Fontes

  • ESTRELA, Susana, pp. 11-12
  • GUERRA, Amílcar; FABIÃO, Carlos, pp. 471-472
  • DGPC, Endovélico / Portal do Arqueólogo, ficha do Povoado das Mesas do Castelinho, CNS 4263. Os 34 registos de trabalhos arqueológicos, 1987-2018, lidos na íntegra., Campanha de 2002, Resultados
  • DGPC, Endovélico / Portal do Arqueólogo, ficha do Povoado das Mesas do Castelinho, CNS 4263. Os 34 registos de trabalhos arqueológicos, 1987-2018, lidos na íntegra., Campanha de 2017, Resultados

Paradata

Linha dupla: a parede exterior das casas encostadas à fortificação serve de face interna, uma face externa regular de xisto corre paralela, e o espaço entre as duas é cheio de pedra lançada sem aparelho. A sequência estratigráfica é inequívoca na ordem (casas, enchimento, face externa), mas não na cronologia; ver variantes. A espessura é da ordem dos 3 m na plataforma inferior contra 1 a 2,5 m na superior, pelo que as duas plataformas não são modeladas com a mesma secção; Fabião chamou à muralha de A1-A2 tão fina que é "quase difícil chamar-lhe 'muralha'". Não é representada como estrutura imponente: Estrela lê-a como "uma marca na paisagem, um ponto de referência, mais do que um local que se queria inexpugnável". Estado físico ANASTILOSE: o registo da campanha de 2017 refere o "reposicionamento das suas linhas fortificadas situadas no Sector B2". O que o visitante vê hoje foi reposto, e tem de ser assinalado como tal.

Variantes

  • A. Muralha erguida na própria fase fundacional, logo após as primeiras casasESTRELA, Susana, pp. 7, 94
  • B. Povoado cego numa primeira fase; muralha acrescentada em momento posteriorDGPC, Endovélico / Portal do Arqueólogo, ficha do Povoado das Mesas do Castelinho, CNS 4263. Os 34 registos de trabalhos arqueológicos, 1987-2018, lidos na íntegra., Campanha de 2002, Resultados · GUERRA, Amílcar; FABIÃO, Carlos, pp. 471-472

Os escavadores declaram a dúvida provavelmente insuperável do ponto de vista estratigráfico: "não foi possível determinar se a muralha assim composta foi, de facto, erguida logo na fase inicial da ocupação ou se correspondeu a um momento posterior". O registo de 2002 diz que na primeira fase a muralha não existia; a tese de 2010 coloca-a dentro da fase fundacional. Validade equivalente: ambas apresentáveis, nenhuma apresentada como a resposta. Todas as leituras concordam na sequência: sem muralha, com muralha, sem muralha outra vez, sem qualquer horizonte de destruição.

Questões em aberto

  • Quanto durou o momento sem muralha, e conta como fase própria?

Estado do registo: draft · Atualizado: 2026-09-09

E1: AtestadoNão preservado ou ausente

Estela com Escrita do Sudoeste: o objeto

MC-B3-REP-001

Sector
B3
Fase
Romano republicano (finais do séc. II a inícios do séc. I a.C.)
Tipo
Objeto
Locus
Retirada do sítio; Museu da Escrita do Sudoeste, Almodôvar
Dimensões
112 × 51 × 9 cm (Guerra 2009, pp. 325-328)

Fontes

  • GUERRA, Amílcar, pp. 325-328

Paradata

E1 pelo objeto em si: a publicação de referência dá medidas, contagem e leitura. Oitenta e dois signos, 80 dos quais de valor fonético identificável, 21 distintos: "esta epígrafe constitui o mais extenso texto deste grupo de escrita até ao momento conhecido". Código de base de dados BEJ.06.13; não tem número no corpus de Untermann, que lhe é anterior. Estado físico NAO_EXISTENTE porque a peça foi retirada do sítio para museu; o que uma reconstrução puser no terreno é uma réplica e tem de o dizer. O que este registo não afirma: a data da própria inscrição, que nenhuma das publicações lidas estabelece; e a língua, que continua por identificar. O estado da questão em 2021 diz que a filiação "seguimos sin conocer". A leitura da escrita como céltica é uma posição minoritária publicada, e o próprio Guerra passou da simpatia em 2010 a considerar metodologicamente incorreta a tradução quase integral dos textos, em 2025.

Questões em aberto

  • Qual é a data da inscrição? Nenhuma das publicações lidas a estabelece.
  • Quantas estelas reúne o MESA? O número em circulação não tem fonte museológica.

Estado do registo: draft · Atualizado: 2026-09-09

E1: AtestadoNão preservado ou ausente

Deposição da estela: aterro preparatório do piso da Rua 1

MC-B3-REP-002

Sector
B3
Fase
Romano republicano (finais do séc. II a inícios do séc. I a.C.)
Tipo
Depósito
Locus
Rua 1, UE 726

Fontes

  • GUERRA, Amílcar, pp. 325
  • ESTRELA, Susana, pp. 7
  • FABIÃO, Carlos; GUERRA, Amílcar, pp. 99
  • JIMÉNEZ ÁVILA, Javier, pp. 160, 164

Paradata

E1 para o contexto de achado, E2 para a orientação. O bloco foi avistado "no final da campanha de 2007" na Rua 1 do Sector B-3, "no contexto da UE 726", e levantado em setembro de 2008. Estava reutilizado com a face gravada voltada para baixo, "num aterro romano republicano, preparativo de um piso de circulação desta via", ou seja, um aterro sob a superfície da rua, não o lajeado. É cerca de três séculos mais antigo do que a superfície em que assentava; o local original é desconhecido e os escavadores consideraram-no de pouco valor para datar o povoado. Registe-se explicitamente o que a publicação de referência NÃO diz: nunca usa a expressão "voltada para baixo" e não data a UE 726. Esse detalhe e a data do pavimento vêm das sínteses de 2008 e 2010, não da publicação epigráfica; daí o E2 para a orientação. Registe-se também que o registo estatal nunca menciona a estela: nenhuma ficha de 2007 ou de 2008 contém a palavra. Num levantamento de 28 estelas de contexto escavado, esta é a única alguma vez listada como "reutilizada en rellenos viarios".

Questões em aberto

  • De onde veio a estela? O local original é desconhecido.
  • Que data tem exatamente a UE 726? A publicação epigráfica não a dá.

Estado do registo: draft · Atualizado: 2026-09-09

E1: AtestadoNão preservado ou ausenteVariantes

Cabeça humana de terracota ("Batata")

MC-A1-FERRO2-001

Sector
A1
Fase
Idade do Ferro (2.ª metade do séc. IV a finais do séc. III a.C.)
Tipo
Objeto
Locus
Ambiente XIII, derrube e enchimento; posição secundária

Fontes

  • ESTRELA, Susana, pp. 78-79

Paradata

E1 para o objeto e o registo de achado: encontrada em 1995 no Sector A1, em posição secundária no derrube e enchimento do Ambiente XIII, Fase II, portanto segunda metade do século IV a inícios do século III a.C. Traços realistas, possivelmente uma criança; a equipa trata-a por "Batata". A interpretação publicada é explícita e é a hipótese principal: "um brinquedo, ou mesmo um objecto decorativo. Não nos parece que a figura em questão seja a representação de uma qualquer divindade nem mesmo um ex-voto". A leitura de "síntese cultural" mediterrânica e céltica, que circula em materiais do município e numa peça de imprensa que a atribui a arqueólogos não nomeados, é registada como variante de validade DESIGUAL: não tem apoio em publicação arqueológica e não é apresentada em pé de igualdade. Divergência a resolver: a publicação arqueológica dá a peça como exposta no museu de Santa Clara-a-Nova; a peça de imprensa coloca-a no MESA, em Almodôvar.

Variantes

  • A. Brinquedo ou objeto decorativo (hipótese principal)ESTRELA, Susana, pp. 78-79
  • B. "Síntese cultural" mediterrânica e céltica (posição minoritária)Município de Almodôvar, percurso de visita das Mesas do Castelinho: painéis, brochura e transcrições dos audioguias. · National Geographic Portugal, "Mais de duas décadas de trabalhos arqueológicos em Mesas do Castelinho", com data de página de 23 de agosto de 2021. Lê-se como texto anterior redatado.

Validade desigual, pelo que se endossa a hipótese principal e se regista a outra como posição minoritária, com a sua origem. A variante B assenta numa fonte por confirmar e numa fonte municipal; nenhuma delas pode sustentar um E1.

Questões em aberto

  • Onde está a peça exposta hoje: Santa Clara-a-Nova ou Almodôvar?

Estado do registo: draft · Atualizado: 2026-09-09

E4: ConjeturaNão preservado ou ausente

Cobertura das casas romano-republicanas

MC-GERAL-REP-001

Sector
geral
Fase
Romano republicano (finais do séc. II a inícios do séc. I a.C.)
Tipo
Cobertura

Fontes

  • GUERRA, Amílcar; FABIÃO, Carlos, pp. 475
  • Município de Almodôvar, percurso de visita das Mesas do Castelinho: painéis, brochura e transcrições dos audioguias.

Paradata

Conjetura declarada. Não sobrevive uma única cobertura em ponto algum do sítio, e este registo não tem nenhuma fonte que descreva ou represente um telhado nas Mesas do Castelinho. O material do município refere coberturas de "materiais vegetais", mas isso é material interpretativo escrito para visitantes, não um resultado de escavação, e é citado como tal. Também não há de onde emprestar um paralelo: as casas de cerca de 30 m² com segundo piso alcançado por escada exterior de pedra são um arranjo que os escavadores consideram peculiar e sem antecedente direto conhecido nem no mundo indígena local nem na arquitetura romana. O que substituiria esta conjetura por evidência: telha, impressões de barro ou camadas de derrube num sector ainda por escavar, ou as 148 fichas de contexto da tese de 2010, que estão descarregadas e por ler.

Questões em aberto

  • Que materiais? Nenhuma fonte de escavação o diz.
  • A que inclinação e com que vão? Sem evidência de nenhum tipo.

Estado do registo: draft · Atualizado: 2026-09-09

E1: AtestadoNão preservado ou ausente

Paisagem envolvente: estevais, azinheira e sobreiro, campos de cevada

MC-ENV-FERRO3-001

Sector
envolvente
Fase
Idade do Ferro, fundação (finais do séc. V à 1.ª metade do séc. IV a.C.)
Tipo
Vegetação

Fontes

  • TERESO, João Pedro; VAZ, Filipe Costa; OLIVEIRA, Cláudia; FABIÃO, Carlos; GUERRA, Amílcar; ESTRELA, Susana, pp. 245, 248, 251, 253

Paradata

Invulgarmente bem evidenciado, e a partir de carvões e sementes de 71 amostras em 46 unidades estratigráficas dos sectores A1, B2 e B3. O carvão de azinheira e sobreiro com esteva domina todas as fases: uma paisagem "bastante antropizada, sendo dominada por estevais, com algumas manchas florestais de azinheira e sobreiro, assim como campos de cereais, em especial de cevada". Os solos já estavam empobrecidos no século IV a.C., muito como hoje. A cevada é a cultura mais ubíqua em todas as fases. O carvão de urze domina a fossa junto ao forno de fundição da Idade do Ferro em B2 e a forja republicana em B3, enquanto as lareiras domésticas queimavam azinho e esteva: uma escolha deliberada de combustível para calor alto. A videira só aparece na fase islâmica. Não há oliveira em fase nenhuma. O olival que hoje cobre a plataforma B foi plantado nos anos 1960 e é ele próprio um episódio de destruição, pelo que não pode ser modelado em nenhuma fase antiga. A banda E1 cobre as espécies presentes; a densidade, o porte e a distribuição concreta de cada mancha são E3 e ficam em registos próprios.

Questões em aberto

  • Que densidade e que porte tinham as manchas florestais? A composição está atestada, a estrutura não.

Estado do registo: draft · Atualizado: 2026-09-09

E4: ConjeturaNão preservado ou ausente

Entradas do povoado fortificado: ausência

MC-GERAL-FERRO3-900

Sector
geral
Fase
Idade do Ferro, fundação (finais do séc. V à 1.ª metade do séc. IV a.C.)
Tipo
Ausência

Fontes

  • Município de Almodôvar, percurso de visita das Mesas do Castelinho: painéis, brochura e transcrições dos audioguias.

Paradata

Registo de ausência, e a ausência é o próprio conteúdo. Seis séculos de ocupação e um perímetro fortificado, e nenhuma porta alguma vez identificada. O percurso de visita di-lo ao visitante nas suas próprias palavras: "Não sendo ainda conhecidas as entradas deste povoado fortificado". Nenhuma das publicações lidas localiza uma entrada. Consequência para a modelação: não existe base para representar um acesso, e representar um seria inventar o elemento mais visível de uma muralha. Enquanto isto não se resolver, qualquer figura humana modelada a entrar ou a sair do povoado é conjetura sobre conjetura. O que fecharia a lacuna: escavação nos taludes, ou os resultados da prospeção com georradar de junho de 2022, que não estão publicados.

Questões em aberto

  • Onde se entrava? Nenhuma fonte o diz.
  • O georradar de 2022 viu alguma coisa? Os resultados não estão publicados.

Estado do registo: draft · Atualizado: 2026-09-09

Normas, revisão e errata

A que é que esta página se obriga

Um registo de evidência não é uma cortesia editorial: é o que duas normas internacionais de arqueologia virtual exigem de qualquer reconstrução que se apresente publicamente. Esta página existe para cumprir o dever de publicação dessas normas: tornar disponíveis, de forma clara e concisa, os metadados e a paradata de tudo o que for modelado.

Princípios de Sevilha

Princípios Internacionais da Arqueologia Virtual, ratificados pela 19.ª Assembleia Geral do ICOMOS, Nova Deli, dezembro de 2017.

Autenticidade, rigor histórico e transparência científica. É a norma que obriga a distinguir o real do reconstruído e a publicar a paradata.

Texto trilingue (inglês, espanhol e francês) publicado pelo ICOMOS Espanha.

Carta de Londres

The London Charter for the Computer-Based Visualisation of Cultural Heritage, versão 2.1, fevereiro de 2009.

O enquadramento teórico que os Princípios de Sevilha assumem como seu. Os princípios 3 (Fontes de investigação) e 4 (Documentação) são os que este registo cumpre; o termo paradata é seu.

A Carta tem tradução portuguesa oficial, por Botelho, Dias, Madeira e de Almeida, de novembro de 2014, ligada a partir do mesmo sítio. "Carta de Londres" é, por isso, termo estabelecido em português e não uma tradução nossa.

As cláusulas que esta página cumpre

Sevilha 4Deve ser sempre possível distinguir o que é real, genuíno ou autêntico do que não é.
Sevilha 4.1Onde interpretações alternativas tenham validade científica equivalente, há um compromisso de as apresentar todas. Só onde essa equivalência não existe se endossa a hipótese principal.
Sevilha 4.2As reconstruções têm de tornar explícitos os diferentes níveis de rigor em que assentam.
Sevilha 4.3Distinguir claramente entre o conservado in situ, o reposto na posição original, o reconstruído sobre os restos originais e o restaurado virtualmente.
Sevilha 5.2Mostrar todas as fases, incluindo as de decadência, e nunca só o momento de esplendor, nem uma imagem idílica de edifícios recém-construídos.
Sevilha 5.3A paisagem e o contexto são tão importantes como a ruína. Cidades sem vida e paisagens mortas são falsidades históricas.
Sevilha 7.1 e 7.3Reunir e apresentar de forma transparente todo o processo de trabalho; a incorporação de metadados e paradata é crucial e deve ser clara, concisa e facilmente acessível.

Lista de fontes

A marca de verificação diz até onde cada item foi efetivamente conferido, e é copiada do registo de investigação, nunca inventada. Uma fonte por confirmar não pode sustentar um E1.

  1. FABIÃO, Carlos; GUERRA, Amílcar (2008), "Mesas do Castelinho (Almodôvar), um projecto com vinte anos", Al-Madan, II série, 16, pp. 92-105.

    fabiao_guerra_2008 · publication · lido na íntegra

  2. GUERRA, Amílcar; FABIÃO, Carlos (2010), "Mesas do Castelinho (Almodôvar): um exemplo de urbanismo falhado no sul da Lusitânia", VII Table Ronde sur la Lusitanie Romaine (Toulouse 2007), Mérida, pp. 459-488.

    guerra_fabiao_2010_merida · publication · lido com citações verificadas

  3. FABIÃO, Carlos; GUERRA, Amílcar (2010), "Mesas do Castelinho (Almodôvar): a case of a failed Roman town in southern Lusitania", in Corsi & Vermeulen (eds), Changing Landscapes, Bologna, Ante Quem, pp. 325-346.

    fabiao_guerra_2010_changing · publication · lido na íntegra

  4. GUERRA, Amílcar; FABIÃO, Carlos (2001), "Mesas do Castelinho, Almodôvar: uma fortificação rural islâmica do Baixo Alentejo", Mil Anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magreb, Lisboa, Colibri / CM Palmela, pp. 171-176.

    guerra_fabiao_2001_islamica · publication · lido em imagens de página

  5. ESTRELA, Susana (2010), Os níveis fundacionais da Idade do Ferro de Mesas do Castelinho (Almodôvar): os contextos arqueológicos na (re)construção do povoado, dissertação de mestrado, Universidade de Lisboa, orientada por Carlos Fabião.

    estrela_2010_tese · publication · lido com citações verificadas

  6. ESTRELA, Susana (2019), "Adornos, espaço e tempo: as contas de colar em Mesas do Castelinho", digitAR 6, pp. 227-253.

    estrela_2019_digitar · publication · lido com citações verificadas

  7. GUERRA, Amílcar (2009), "Novidades no âmbito da epigrafia pré-romana do Sudoeste hispânico", Palaeohispanica 9, pp. 323-338.

    guerra_2009_palaeohispanica · publication · lido com citações verificadas

  8. JIMÉNEZ ÁVILA, Javier (2021), "El contexto arqueológico de la escritura paleohispánica del Suroeste peninsular", Palaeohispanica 21, pp. 149-188.

    jimenez_avila_2021 · publication · lido com citações verificadas

  9. LUJÁN, Eugenio R. (2021), "La lengua de las inscripciones del Sudoeste: estado de la cuestión", Palaeohispanica 21, pp. 189-217.

    lujan_2021 · publication · lido com citações verificadas

  10. VIEGAS, Catarina (2019), "Terra sigillata trade in Mesas do Castelinho (Almodôvar-Portugal)", Spal 28(1), pp. 97-129.

    viegas_2019_spal · publication · lido com citações verificadas

  11. PARREIRA, Jorge (2009), As ânforas romanas de Mesas do Castelinho, dissertação de mestrado, Universidade de Lisboa, orientada por Carlos Fabião.

    parreira_2009_tese · publication · lido com citações verificadas

  12. TERESO, João Pedro; VAZ, Filipe Costa; OLIVEIRA, Cláudia; FABIÃO, Carlos; GUERRA, Amílcar; ESTRELA, Susana (2023), "Agricultura e paisagem em torno do povoado de Mesas do Castelinho (Almodôvar)", in Amanhar a Terra. Arqueologia da Agricultura, Município de Palmela, pp. 239-255.

    tereso_et_al_2023 · publication · lido com citações verificadas

  13. SECA, Matilde (2023), "Organização e Representação da Informação do Projeto 'Mesas do Castelinho' no Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa", Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra 36(1), pp. 121-139.

    seca_2023 · archive · lido na íntegra

  14. DGPC, Endovélico / Portal do Arqueólogo, ficha do Povoado das Mesas do Castelinho, CNS 4263. Os 34 registos de trabalhos arqueológicos, 1987-2018, lidos na íntegra.

    registo_endovelico · register · registo institucional, lido na fonte

  15. DGPC, ficha de imóvel 72912, incluindo a Nota Histórico-Artística assinada [AMartins]. Bibliografia parada em meados dos anos 1990.

    dgpc_imovel · register · registo institucional, lido na fonte

  16. Decreto n.º 29/90, de 17 de Julho, Presidência do Conselho de Ministros, Diário da República I Série n.º 163, Anexo II, p. 2973.

    decreto_29_90 · register · registo institucional, lido na fonte

  17. uniarq digital, boletim do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, n.os 65 e 66 (2022) e 88 (2024).

    uniarq_boletim · archive · lido na íntegra

  18. Município de Almodôvar, percurso de visita das Mesas do Castelinho: painéis, brochura e transcrições dos audioguias.

    cm_almodovar_audioguia · municipal · lido na íntegra

  19. National Geographic Portugal, "Mais de duas décadas de trabalhos arqueológicos em Mesas do Castelinho", com data de página de 23 de agosto de 2021. Lê-se como texto anterior redatado.

    natgeo_2021 · press · por confirmar

Última revisão: 9 de setembro de 2026

Errata

Se conhecer o sítio, escavou nele, ou publicou sobre ele, e vir aqui um erro (uma leitura mal atribuída, uma página errada, uma hipótese apresentada com mais confiança do que merece), a correção é bem-vinda e será feita com crédito. Este registo foi escrito para poder ser contestado por escrito.

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